Artistas chamam atenção para teatro abandonado

•26/02/2008 • Deixe um Comentário

 

Foto: Tancy Costa

11 horas da noite, eles ainda montavam a cama em baixo da marquise do Cine Teatro abandonado há sete anos, Benedito Alves. Os atores seguiram a pé para o Teatro para fazer uma performance depois da abertura da 25° Festivale, com a  peça “Um navio no espaço” encenada por Paulo José e sua filha, Ana kutner. Artistas e a população acompanharam a manifestação, enquanto os atores da Cia Trailler acorrentavam-se na cama colocada no local, onde passariam 24 horas. 

 Ao lado da cama, deixaram uma corda amarrada em uma haste de metal, que lembrava uma forca, além de uma faixa com a reivindicação. A manifestação pretende chamar atenção das pessoas para revitalização e abertura do  Cine Teatro Benedito Alves que é uma referência artística para a cidade, assim como a criação de um fundo de cultura.

Em maio, a prefeitura informou para O Vale que a reforma deveria ser realizada em 2011, quando foi contratado um projeto para revitalização arquitetônica, a um custo de R$ 8.700, a idéia é criar um espaço para apresentação de peças, para proporcionar cursos de teatro e etc. O projeto tem haver com a revitalização da região central da cidade.

A criação do Fundo Municipal de Cultura teria que modificar a Lei de Incentivo Fiscal (LIF) em que as empresas recebem isenção fiscal, quando patrocinam eventos culturais. Podem ser “patrocinados” livros, música, teatro, restaurações etc. O fundo seria uma alternativa para promover práticas locais que não são contempladas pela ação de grandes empresas, reclamação dos artistas. Este modelo já foi adotado pela cidade de Santo André, desde 1990, onde seriam investidas projetos da comunidade cultural. Em 2009, 6 projetos foram escolhidos no valor total de 240 mil.

De noite vários pessoas se reuniram para ver, apoiar, filmar e fotografar a performance. Inclusive, o filho do homem que construiu e emprestou o nome para o Teatro. As horas passaram, o movimento no Banhado diminuia e os atores sentiram na pele o que uma parcela da população sente nas ruas do centro, a invisibilidade e o abandono. Começava a amanhecer, carros passavam e pessoas já passavam em frente ao Cine Teatro. Seis horas da manhã, lá estavam eles com cara de sono acordados. Um morador que passeava pela região com seu cachorro, demonstrou apoio pela causa “Há muito tempo o teatro estava parado, algo deve ser feito. gostei da ideia de vocês”.

Vidas buscam superação!

•26/02/2008 • Deixe um Comentário

Todos buscando superar juntos os obstáculos

Andando no centro da cidade vejo uma cadeira de rodas, logo penso, estou no caminho certo para encontrar os membros do movimento Superação. Andar pelas calçadas do centro paulistano não é uma tarefa fácil, mas parece melhor quando se tem a companhia de amigos. Chego e já existe uma pequena concentração de pessoas, logo os organizadores do Movimento superação já começam a distribuir camisetas com o logo da ong, um dragão com uma cadeira de rodas, estilizado.

A passeata parece um encontro de ex-amigos, já que muitos se conhecem das lutas travadas, no passado, para conseguir a inclusão de pessoas com deficiência. Pessoas de todos estilos, jovens, crianças e adultos em busca de melhor acessibilidade, de diminuir o preconceito. Ali todos são “assim como você”, como é o nome do blog do jornalista, Jairo Marques da Folha. Enquanto isso, um cão guia, repousava tranquilamente no momento que seu dono conversava. Sorrisos, abraços, muita conversa para por em dia, e como em qualquer lugar várias rodinhas de pessoas que se conhecem de longa data, da internet, de alguma instituição. A alegria pode ser sentida ao ver estes encontros, assim como a força de vontade de derrubar as barreiras físicas.

Luzes, câmeras fotográficas, flashes e câmeras de vídeo buscavam espaço no meio da multidão de pessoas, buscando retratar a manifestação, contar histórias reais, fixar um instante, um detalhe. Lá estavam a equipe do “profissão repórter”, outras redes e fotógrafos de agências e veículos. Demonstrando que cada vez a mídia está dando mais espaço para a questão, mesmo que seja somente, porque dia 3 de dezembro é o Dia da luta das pessoas com deficiência.

Muitos chegam, a fanfarra da Apae de Aparecida começa a tocar e encantar, mostrando que qualquer pessoa com disciplina pode tocar, dançar e encantar a todos. O maestro coordena os dez meninos e meninas, emociona e faz lembrar de um tempo em que era comum fanfarras em escolas. O mais interessante é perceber que dois terços são de pessoas sem deficiência, de familiares, amigos e voluntários que ajudam nesta luta por melhores condições de vida, por dignidade e respeito.

Cerca de 200 pessoas do movimento saíram da praça José Gaspar e caminharam até a praça da República. A passeata parou ruas e avenidas importantes, para ecoar os gritos por mais acesso, os refrãos da música do projeto Tupã, “superar é o esquema para os problemas solucionar”. Até sotaques argentinos eram possíveis de escutar, de argentinos do movimento Superación argentino. Todos alegres, radiantes, gritando com força, segurando uma faixa pedindo por inclusão. Os cães guias andavam imponentes como fosse um passeio. As pessoas que andavam nas calçadas olhavam com curiosidade, perplexidade e estranhamento. Parecia um show, uma mistura de realidade e ficção, já que gravavam cenas da manifestação para a novela “Viver a vida”, a vida imita a arte, mas muitas vezes acontece o contrário.

O evento terminou na praça da República bem pertinho a sede da prefeitura de São Paulo. É o poder público tem que olhar de outra forma. No meio da aglomeração estava uma senhora simples, sem camiseta do movimento superação, com um gorro de papai Noel, bolsas e com uma boneca pendurada na cadeira. Ela segurava uma placa “ajuda-me a sobreviver por favor”, aparentava não ter as mesmas condições da maioria das pessoas que estavam ali. Ela se emocionou e foi as lágrimas quando escutou as músicas do organizador Billy.

Billy, o idealizador foi para o palco com um amigo, com violão em punho, do projeto Tupã falar sobre o movimento e cantar. Usando o Hip e Hop para motivar o pessoal, as crianças riam, todos chacoalhavam o balão com o logo do Superação. A letra fala de superar desafios, de não reclamar da vida, de se adaptar, da crença e da busca destas pessoas. Caminhando e cantando, estão eles braços dados, ou não, dominando as ruas da cidade.

Voltei…depois de contar outras histórias

•26/02/2008 • Deixe um Comentário

Projeto experimental no formato livro-reportagem conta a história de pessoas com deficiências

Seis meses depois, volto ao blog para contar a experiência que tomou a maior parte do meu tempo este ano. Desde março, tenho me dedicado para o projeto experimental. Mas, foi válido porque agora finalizei o livro-reportagem.

Claro que penso na viabilização para que sua ideia, atravesse a faculdade, e se transforme em um projeto profissional. faltam publicações que abordem um assunto de grande importância, a acessibilidade para pessoas com deficiências e mobilidade reduzida.

Neste tempo conheci várias histórias de personagens anônimos, que enfrentam as barreiras arquitetônicas e sofrem com o preconceito, por não fazer parte do padrão que a sociedade cobra. Aprendi muito como profissional e jornalista a olhar para as pessoas com igualdade, nem como hérois, nem como coitados. Como jornalista desenvolvi a percepção e sensibilidade para poder entrevistar estes personagens.

Tive que aprofundar meu conhecimento, lendo bastante, apurando, entrevistando e escrevendo. Escrever a tarefa mais árdua e satisfatória. Aprendi a valorizar a vida, a lutar, a não desistir diante das dificuldades. Todas fontes estão buscando respeito, dignidade, trabalho, qualidade de vida, saúde, inclusão, todos em busca de um sentido. Pessoas que não ficaram esperando tudo acontecer, mas tentaram ajudar outras vidas.

Depois, da conclusão deste projeto me torno realmente uma jornalista, não somente por causa do diploma que receberei no final do ano, mas pelo conhecimento de técnicas,  do olhar diferenciado, de vida. Agora volto a tocar o blog, com histórias interessantes. Sim, nos somos contadores de histórias reais.

Perfis compilados

•26/02/2008 • 1 Comentário

Participação como coautora do livro com um perfil de um jornalista

 

 

Participação como coautora do livro com um perfil de um jornalista

Faz tempo que não escrevo no blog, não por falta de  assunto. Pois, todo dia olho personagens super interessantes. Mas, o problema é o tempo, a correria. Este ano corro para concluir, até outubro, meu TCC. Que também terá perfis e trata de uma temática para lá de especial. Será um livro-reportagem sobre pessoas com deficiência para trazer informações as pessoas, acabar com o preconceito e mostrar que todos podem superar as dificuldades.

Já me justifiquei, agora posso falar deste projeto. O livro foi pensado por três professores: a Eliane Freire, o Robson Bastos e o Francisco de Assis. Fui convidada para fazer um perfil sobre o Robison Baroni, que foi radialista, em Taubaté. Robison trabalhou em várias rádios, como também na saudosa Rádio Tupi, além de narrar trailers para filmes do Mazzaropi.  Nunca largou a profissão, só a dividiu com o Direito.

Agora em abril, foi o lançamento do livro JORNALISTAS DO VALE DO PARAÍBA: EXPERIÊNCIA E MEMÓRIA, que junta outros 11 perfis de jornalistas que contam experiências e serve para resgatar a memória destes profissionais que atuaram no Vale. Este é um trabalho do NUPEC  (Núcleo de pesquisa e Estudos em Comunicação) e teve colaboração de alunos e ex-alunos. Porém, só foi possível pela força de vontade dos três organizadores já citados.

Musa inspiradora

•26/02/2008 • 1 Comentário

capavidasite_1Na vida nada se cria, tudo se transforma. Eu me transformei ao ler uma matéria sobre pacientes terminais escrita por uma repórter que minha professora de jornalismo sempre falava, a jornalista da Época, Eliane Brum. Depois de ler o livro “A vida que ninguém vê” voltei a acreditar que podemos arrumar espaço para publicar matérias sociais.

Assim, tive a ideia de criar um blog para contar histórias de personagens das ruas, dos quais me interesso. Sempre me interessei pela vida cotidiana. Mas, ao ler o livro da Eliane percebi que a forma de contar é importantíssima. E neste requisito ela é fera. Sensibilidade aguçada, olhar diferenciado, seus textos parecem “crônicas-reportagens”.

Não é para qualquer um transformar o ordinário, banal, em extraordinário e fantástico. Ainda mais que são histórias reais. Temos que acreditar neste outro jornalismo. É o jornalismo literário está aí  para chamar mais leitores. Escrever notícias é fácil, mas para interpretar a realidade e opinar necessitamos de mais bagagem.

 “A vida que ninguém vê” nos lembra a teoria da invisibilidade, tema da dissertação de Mestrado de um aluno da USP em Psicologia, que se passou por gari para comprova-la. Temos retirar nossas lentes, para enxergar de verdade, não só com os olhos, mas com o coração. Quantas vezes passamos do lado de alguém e não percebemos.

Compartilho com a sensibilidade da jornalista, apesar de não conseguir escrever de maneira tão primorosa. Ela realmente é uma musa, um exemplo a seguir, já que descobri que este é um caminho que me anima, em que acredito exercer minha função como profissional.

Fiquei feliz ao saber que ela está participando de um projeto chamado Rumos do Itaú Cultural, ministrando oficinas. Espero que tenhamos oportunidade que ela também faça no estado de São Paulo.

Por trás da lona

•26/02/2008 • 1 Comentário

Este é o palhaço cochicho! Foto do site http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2008/10/154_1024-moroco.jpg&imgrefurl=http://extra.globo.com/blogs/paoduro/default.asp%3Fa%3D181%26periodo%3D200810&usg=__uHSCdLpcnAlKXs6u-_Lsrej1KGw=&h=385&w=256&sz=27&hl=pt-BR&start=21&tbnid=zkKXwureIh-QQM:&tbnh=123&tbnw=82&prev=/images%3Fq%3Dcirco%2Bbeto%2Bcarreiro%2Bpalha%25C3%25A7o%26start%3D18%26gbv%3D2%26ndsp%3D18%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN

Este é o palhaço cochicho! Foto do blog: http://extra.globo.com/blogs/paoduro/

 

 

 

Ao entrar na lona, o tocar de sapatos na arquibancada nos faz escutar o ranger da madeira, além do barulho crocante das pipocas pisadas no chão. No ar o cheiro salgado de pipocas, batatas-fritas e crepes se mistura ao perfume doce de maças do amor, churros e do algodão doce.  Começam os gritos: Olha o crepe! Os “vendedores-artistas” se equilibram para segurar as bandejas, enquanto passam pela platéia. Os pais cedem aos apelos dos filhos para comprar espadas luminosas e tiaras com corações pendurados.

Todos sentam em seus lugares, as luzes se abaixam. A fumaça de gelo-seco com cheiro de eucalipto começa a mexer com o subconsciente. A névoa branca da fumaça faz as pessoas acreditarem que estão em um sonho, se transportando para um mundo fantástico, onírico, um mundo mágico. Em baixo, o picadeiro tem um tapete circular vermelho e as cortinas de veludo vinho tornam o ambiente mais aconchegante.

As crianças estão com o olhar atento e curioso, os pais tem um olhar de encantamento e parecem se divertir mais. O ponto do clímax é quando aparece no palco o palhaço Cochicho, que usa das técnicas, de Chaplin, da comédia muda. Cochicho é diferente dos palhaços convencionais, usa um chapéu parecido a de um bobo da corte e roupas pretas com bolas coloridas.

O palhaço a “la Carlitos” tem com principais ferramentas no palco bolinhas coloridas, um balde e sua expressão corporal. Cochicho arranca risadas do público usando da mímica de seu rosto expressivo e de gestos.

O mundo do circo é de fantasia, mas a rotina destes artistas é bem real. Ficam três semanas numa cidade com apresentações diárias. No fim de semana fazem três espetáculos por dia. O palhaço Cochicho ao terminar a apresentação desabafa. “Fim de semana ficamos acordados até as 3 horas da madrugada. Ficamos exaustos. No outro dia ainda treinamos”, contou Cochicho.

São 17 números entre acrobatas, malabaristas, contorcionistas, ginastas, palhaços e etc. Os corpos sarados, dos homens e mulheres quase todos jovens, fazem coisas que parecem sobre humanas, tem elasticidade, auto-controle, concentração, técnica, leveza e rapidez nos movimentos. Vivem de arte, são trabalhadores da arte. Suas rotinas são bem diferentes.

O público sai da lona e volta para a realidade ao enxergar vários trailers do lado de fora do picadeiro. Fora, em um trailer está uma mesa com uma banheira de bebê, isso nos faz lembrar  que a vida continua. 

Os trajes cor de laranja

•26/02/2008 • Deixe um Comentário

 

 

De um lado para o outro passam pessoas em todas as direções, para resolverem coisas no Centro da Cidade. No Centro, o profano e o sagrado se misturam. A igreja Dom Epaminondas, de cor amarelo ouro, fica situada do lado contrário ao Teatro Metrópolis, o único da cidade, e as lojas do comércio. No meio da praça todo mundo corre, na vida capitalista que vivemos, sem pensar em espiritualidade.

Foi neste contexto que um Hare Krishna se aproximou, perguntando se não queria conhecer a liberdade e mais sobre Yoga. Com um nome difícil de pronunciar e  guardar, mas deveria ser indiano e ter um significado espiritual.

Ele era moreno, pele jambo passaria por um indiano, não era nem gordo, nem magro. Os cabelos raspados tinham um significado. Tinha estatura mediana, embora a voz mansa e calma, tentava convencer as pessoas com o jeito simples. No rosto redondo se destacava uma pintura vermelha que saia do meio das sobrancelhas até o meio da testa, um risco vertical, parecia um terceiro olho.

Nas mãos sujas, as unhas curtas e amarelas revelam o trabalho manual de quem vive no campo, na comunidade que fica em Pindamonhangaba, na zona rural. Os trajes eram simples, vestia uma saia de linho branco, sandálias tipo franciscano marrons, uma camiseta cinza e um pano alaranjado pendurado pelo ombro. Com sua voz calma tentava persuadir os transeuntes sobre o “Hinduísmo”:

– Não estamos interessados em sua contribuição, mas em transmitir conhecimento. Repetiu pela terceira vez, mesmo eu dizendo que estava com pouco dinheiro.

Depois de convidar para conhecer a comunidade e os ensinamentos deu um livreto “Os valores da liberdade. Onde o ocidente encontra o oriente” e outro com uma foto muito bonita do sítio em Pindamonhangaba. Além deste hare krishna, estavam mais quatro no centro da praça conversando com as pessoas que passavam curiosas ao olhar as vestimentas diferentes, porém corriam com os afazeres no horário de almoço.