11 horas da noite, eles ainda montavam a cama em baixo da marquise do Cine Teatro abandonado há sete anos, Benedito Alves. Os atores seguiram a pé para o Teatro para fazer uma performance depois da abertura da 25° Festivale, com a peça “Um navio no espaço” encenada por Paulo José e sua filha, Ana kutner. Artistas e a população acompanharam a manifestação, enquanto os atores da Cia Trailler acorrentavam-se na cama colocada no local, onde passariam 24 horas.
Ao lado da cama, deixaram uma corda amarrada em uma haste de metal, que lembrava uma forca, além de uma faixa com a reivindicação. A manifestação pretende chamar atenção das pessoas para revitalização e abertura do Cine Teatro Benedito Alves que é uma referência artística para a cidade, assim como a criação de um fundo de cultura.
Em maio, a prefeitura informou para O Vale que a reforma deveria ser realizada em 2011, quando foi contratado um projeto para revitalização arquitetônica, a um custo de R$ 8.700, a idéia é criar um espaço para apresentação de peças, para proporcionar cursos de teatro e etc. O projeto tem haver com a revitalização da região central da cidade.
A criação do Fundo Municipal de Cultura teria que modificar a Lei de Incentivo Fiscal (LIF) em que as empresas recebem isenção fiscal, quando patrocinam eventos culturais. Podem ser “patrocinados” livros, música, teatro, restaurações etc. O fundo seria uma alternativa para promover práticas locais que não são contempladas pela ação de grandes empresas, reclamação dos artistas. Este modelo já foi adotado pela cidade de Santo André, desde 1990, onde seriam investidas projetos da comunidade cultural. Em 2009, 6 projetos foram escolhidos no valor total de 240 mil.
De noite vários pessoas se reuniram para ver, apoiar, filmar e fotografar a performance. Inclusive, o filho do homem que construiu e emprestou o nome para o Teatro. As horas passaram, o movimento no Banhado diminuia e os atores sentiram na pele o que uma parcela da população sente nas ruas do centro, a invisibilidade e o abandono. Começava a amanhecer, carros passavam e pessoas já passavam em frente ao Cine Teatro. Seis horas da manhã, lá estavam eles com cara de sono acordados. Um morador que passeava pela região com seu cachorro, demonstrou apoio pela causa “Há muito tempo o teatro estava parado, algo deve ser feito. gostei da ideia de vocês”.






Na vida nada se cria, tudo se transforma. Eu me transformei ao ler uma matéria sobre pacientes terminais escrita por uma repórter que minha professora de jornalismo sempre falava, a jornalista da Época, Eliane Brum. Depois de ler o livro “A vida que ninguém vê” voltei a acreditar que podemos arrumar espaço para publicar matérias sociais.


